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Poema


Licença à natureza

Pede um humilde poeta,

Pra fazer uma denúncia 

À coisas feias e incertas,

Nem um coração de ferro

Suporta as dores e berros

De uma dor como esta.


Quem sente as dores do mundo,

Se angustia com certeza,

Com as flechas disparadas

Contra a própria natureza,

Nesta, hoje o que é feiura

Já foi um dia beleza.


Por isso aqui eu relato

Um crime ambiental,

Contra a memória do Rio

Integrador nacional,

Choram histórias e culturas,

Padece a literatura,

Os peixes já passam mal.


Nosso Rio São Francisco

Morre há décadas lentamente,

Os guerreiros pescadores

Lançada a rede inclemente,

Colhem águas desvalidas,

Sujas, pobres, poluídas

Sob lágrimas ardentes.


Sem o pão que o rio dá

O olhar se umedece,

Vendo a comida faltar

O coração se entristece,

A fauna e a flora chora

Agoniza e cada hora,

O nosso Rio Arrefece.


Não vejo crime pior

Do que esse secular,

O humano ignorante

Tudo quando for tocar,

Sem estudo e ecologia,

Numa exploração tão fria

Põe o rio a se acabar.


Nosso Rio São Francisco

Tá bastante assoreado,

Por onde passou navios,

Num progresso avultado,

Hoje barquinho encalha,

Já há a gente até que fala

Que o rio está acabado.


Aqui já foi suntuoso

Caudaloso em natureza,

Até dom Pedro II

Elogiou-lhe a riqueza,

Para os olhos panacéia,

Paulo Afonso dava a idéia

De sua força e beleza.


Delmiro aqui explorou,

O rio era mãe gentil,

O descuido. a ganância,

E a ignorância vil,

Fizeram marcas no corpo,

E hoje está quase morto,

O maior rio do Brasil.


Mas há gente em bondade,

Que pedem muita esperança,

Convocam à uma luta,

Homem, mulher e criança,

Não poupam força nem brio,

Para salvar nosso rio

E resgatar nossa herança.


Um grupo Internacional

Toma à si a empreitada,

De fazer transformações,

Nesta Área perturbada,

Pelo descaso geral,

Estadual, federal,

De políticas disfarçadas.


Falo do Rotary clube,

Que não quer ser um omisso,

Dos crimes acometidos,

No corpo do São Francisco,

Com bondade soberana,

Promovendo uma gincana,

Onde verso um pouco nisto.


A gincana tem por fim,

Reunir a multidão,

De estudantes ribeirinhos,

Que só pela educação,

Podem mudar suas mentes,

E ver de forma abrangente,

O rio, o espaço, o chão!


Numa série de tarefas,

A gincana irá gerar,

Pesquisas no baixo rio,

Análise do lugar,

Conscientizando adiante,

Ao povo e aos governantes,

Como do rio cuidar.


Haverá premiação,

À equipe vencedora,

Porém a maior questão,

É a obra promissora,

De levar as consequências,

Educação e ciência,

Na obra libertadora.


O alcance da gincana,

É de alcance incalculável,

Pois perpetra este trabalho,

A cada um responsável,

Pela defesa do rio,

Numa corrente, num fio,

De amor inigualável.


Para haver mudança,

Nesta dor e sofrimento,

Para curar toda a chaga,

De tanto sucateamento,

O Rotary vai pra rua,

Toma a causa também sua,

Levando o discernimento.


As cidades que banhadas,

Por águas do velho Chico,

Também todas as mãos dadas,

Entram bem se peito nisso,

Para que a mudança surge,

É mesmo na juventude,

Que a obra tem seu início.


É possível ter um Rio,

Restaurado, novo e são

Que supra o balaio de peixe,

Que leve a irrigação

E fatura tão bonita

Às terras férteis e ricas,

Do nosso imenso sertão.


É possível que a dor,

Seja aqui amenizada,

Que sejam pagas as mágoas,

Das lágrimas derramadas,

Só através da união,

Da luta, da educação,

Pode a guerra ser ganhada.


Me despeço nestes versos,

Escrito em poucas linhas,

Convocando à toda a gente,

A esta luta também minha,

E à Luz que o Rotary emana,

Apartir dessa gincana,

Que não estará sozinha!


Valdeí Marcelino da Silva.